Entre prédios históricos e ruínas, quilombos e belas praias, Alcântara é sedutora

A Igreja do Carmo e as ruínas de antigos casarões em Alcântara/MA. Foto: Adilson Zavarize

Localizado em plena Amazônia legal, o município de Alcântara possui uma das maiores áreas de mangue do mundo, por onde se descortinam belas praias desertas e preservadas, ilhas repletas de histórias e lendas, além de reunir em sua área mais antiga os principais monumentos históricos do Estado do Maranhão. Reconhecida como Patrimônio Nacional pelo IPHAN, o estilo colonial de seu importante conjunto arquitetônico nos remete à época em que foi habitada por ricos barões e suas histórias de opulência e riqueza.

Ruínas da antiga Matriz, no centro de Alcântara. Foto: Adilson Zavarize

As ruas e calçadas de Alcântara são um convite para uma boa caminhada para contemplação. A Praça Matriz, onde estão a Casa da Câmara e a Cadeia pode ser o ponto de partida, por onde pode-se visitar o Museu Histórico e Artístico de Alcântara, ruínas de antigos casarões, as igrejas coloniais e a Casa do Divino Espírito Santo. A cidade tem na Festa do Divino a sua maior celebração religiosa e, para quem quiser acompanhar, os festejos deste ano acontecem de 24 de maio até 04 de junho. Todos os anos centenas de turistas e festeiros invadem as ruas do centro histórico para acompanhar os cortejos do Divino.

A natureza ímpar de Alcântara com praias, ilhas e quilombo

Ribamar e Dona Mocinha

Saindo da parte histórica, o visitante pode realizar passeios de barco por igarapés amazônicos e visitar a ilha do Livramento. Lá vive dona Mocinha e seu fiel escudeiro, Ribamar, apelidado carinhosamente de Punk. Eles vivem numa casinha de palha e são os verdadeiros guardiões da ilha e os responsáveis pelo atendimento aos turistas que desejam acampar ou passar o dia por lá.

A praia da ilha tem quase três quilômetros de extensão, onde pode-se observar as falésias avermelhadas. Foto: Adilson Zavarize

Depois de explorar a ilha numa deliciosa caminhada,  chega-se ao final da praia de quase três quilômetros de extensão, onde correm das falésias avermelhadas, uma água doce e geladinha para tirar o sal do corpo num banho relaxante e natural.

O roteiro continua de barco, percorrendo as águas fortes dessa bela Bahia onde se navega por uns 30 minutos para observar um espetáculo único, o voo dos guarás, aves de plumagem vermelha, encontradas com frequência na região. São balés intrigantes que rasgam os céus num espetáculo digno da abundante fauna da região.

A revoada dos guarás é um espetáculo da natureza em Alcântara. Foto: Adilson Zavarize

Outro local indispensável é passear na comunidade Quilombola de Itamatatiua, onde cerca de 165 famílias resistem e mantém as suas tradições. Uma das atrações é conferir o trabalho das artesãs negras que criam peças de barros em estilo único. Jarros, pratos, louças e bonecas trabalhadas manualmente por elas.

Artesanato da comunidade Quilombola de Itamatatiua. Foto: Adilson Zavarize
Sra. Neide de Jesus

Aproveite para visitar a capela de Santa Thereza que se transformou na protetora das casas. Uma das coordenadoras da comunidade,é a Sra Neide de Jesus, 67 anos. Ela afirma que cerca de 20 artesãs trabalham na confecção das peças de artesanato em argila. A comunidade completará em junho próximo 309 anos e é uma resistência a todo o processo de desocupação realizado no interior e distritos de Alcântara, principalmente nas últimas cinco décadas, onde a região se tornou área de segurança nacional em função da base de lançamento de foguetes.

Praia de Mamuna. Foto: Adilson Zavarize

Aprofundar-se nas entranhas ainda mais remotas de Alcântara é surpreender-se com a praia de Mamuna; Num encontro do rio com o mar, seus cinco quilômetros de praia virgem ,contrastam com arrecifes e falésias avermelhadas. Do alto deles fique atento, pois na maré alta, dá pra ver o balé delicado dos botos, que brindam os turistas com malabarismos e mergulhos únicos. Por ser afastada e virgem, essa praia tem pouquíssima estrutura.

Dona Miúda

Pra completar contrate a dona miúda, uma negra que prepara sob encomenda um cardápio regional. Peixada, arroz de cuxá, galinha e peixe frito num sabor pra lá de natural. A comida sai a R$ 25,00 por pessoa com direito a saladinha e suco natural.

Como chegar

 A maneira mais fácil para se chegar a Alcântara a partir de São Luis, é por meio da travessia da Baía de São Marcos, que separa a capital e a cidade histórica de Alcântara. A travessia é feita por lanchas e catamarãs, que, de acordo com a tábua das marés, partem diariamente do terminal hidroviário da Praia Grande, que fica no Centro Histórico. Para quem pretende explorar mais a região, pode tomar o Ferry Boat, que tem partidas a cada hora e meia.

Outra opção é contratar os serviços da Caravelas Turismo – caravelasturismo.com.br, uma das pioneiras no receptivo em São Luis e especializada em Alcântara. Procure contratar o guia Naílton Lobato. Natural da cidade, sua família é uma das mais tradicionais de Alcântara. Todos os conhecem por lá. Muitas das lendas aprendeu com seu avô.

Onde comer

Localizado bem ao lado de uma capela, no alto de uma falésia o Restaurante Cantaria possui a mais privilegiada vista da Ilha do Livramento. O prato imperdível é a fritada de camarão – com certeza a melhor de todo o Maranhão.

A gastronomia de Alcântara pode ser apreciada com vista para o mar no Restaurante Cantarias. Foto: Adilson Zavarize

Experimente também o vatapá, e os deliciosos peixes locais, além do indispensável arroz de cuxá. Beba o suco natural de Bacuri. De sobremesa mouses de frutas regionais e o famoso e exclusivo Doce Espécie, tipicamente de Alcântara. Por R$ 200,00 se come fartamente até cinco pessoas.

Onde ficar

Para se hospedar arrisque a Pousada Bela Vista, um pouco mais distante do centro histórico mas com uma vista incrível. A Pousada dos Guarás fica colada ao imenso manguezal e possui quartos bem equipados com tv a cabo e frigobar. Cuidado apenas com os inconvenientes das muriçocas que não dão sossego.

Texto por: Cláudio Lacerda Oliva
Fotos por: Adilson Zavarize

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