Dia Internacional da Mulher: Empreendedorismo feminino no turismo

Personagens residentes na Estância Hidromineral de Socorro que colaboram para o desenvolvimento do turismo

Na Estância Hidromineral de Socorro – cidade turística localizada no Circuito das Águas Paulista e referência em aventura e ecoturismo – muitas mulheres ocupam cargo de destaque e colaboram para o desenvolvimento do turismo no município. De presidente da Associação de Turismo da Estância de Socorro (ASTUR) a donas do próprio negócio em hospedagem e gastronomia, todas têm em comum a determinação e o empreendedorismo. São elas:

Ana Luiza Russo – Presidente da Associacão de turismo da Estancia de Socorro – 45 anos – 1 filha

“Me encantei com o potencial turístico da cidade e tenho uma rica bagagem que pode ajudar o desenvolvimento sustentável do turismo. Saber disso e não participar seria omissão e eu definitivamente não sei me omitir”

Apesar de não ter nascido na cidade, Ana tem família em Socorro e sempre ia passar as férias lá. Depois de quase 10 anos no exterior, voltou e foi morar em Socorro. Publicitária e administradora de empresas, especializada em marketing digital, com vasta experiência em multinacionais, precisava trabalhar em algo condizente. A solução foi empreender e notou o quanto o turismo havia se desenvolvido.

Participou de uma reunião do COMTUR (Conselho Municipal de Turismo) e ficou maravilhada em ver a participação de representantes do poder público e da iniciativa privada nas questões relacionadas ao turismo.

Transformou uma velha, pequena e bem localizada chácara, em uma pousada diferenciada, os Chalés Santa Catarina.

Continuou nas reuniões do COMTUR onde se cogitou a criação de uma associação para ajudar na grande demanda do turismo. Em 2016 a ASTUR foi criada e Ana foi um dos co-fundadores e membro integrante da diretoria. Nas últimas eleições, em 2019, foi eleita Presidente da ASTUR e Vice-Presidente do COMTUR.

Por certo a escolha deu – se à atuação junto as entidades, por trazer inovações e soluções aos problemas apresentados e à dedicação no desenvolvimento sustentável do turismo e bom entrosamento tanto com o trade da cidade quanto com o poder público local.

Ouviu muitos comentários preconceituosos na trajetória, mas o segredo dela é ter ouvido seletivo: escutar somente aquilo que faz bem e faz crescer, das pessoas que são exemplos, o restante é descartado.

Ana Monteiro – secretária de Turismo de Socorro – 45 anos

“Ser mulher agrega, porque temos o lado mais dócil, mais humano de lidar com as pessoas, facilitando muito o lado dos relacionamentos e parcerias”.

Ana é pós graduada em Administração Geral e formada em Ciências Contábeis. Entre os cursos feitos, estão o de Especialização em Gestão de Responsabilidade Social e Ambiental nas organizações; de Gestão do Terceiro Setor; Sequencial em Sistema de Gestão da Sustentabilidade nos Meios de Hospedagem e de Gestão de Pessoas – Motivação nas Organizações. Atualmente faz MBA em Inovação em Gestão Pública.

Ela visitou a cidade a trabalho pela primeira em 2003 e teve a oportunidade de conhecer os pontos turísticos. Se encantou e após 6 meses já estava morando em Socorro. Logo se envolveu com projetos da cidade, na captação de recursos.

Trabalhou um período como consultora e também participou do Conselho Municipal de Turismo.

Observou que o município não tinha curso de beleza, estética e terapias integrativas, e investiu em um espaço de bem estar. Sempre gostou do empreendedorismo feminino, e sentiu que muitas pessoas precisavam voltar para o mercado de trabalho e que queriam a independência financeira e a autonomia em fazer seu horário de trabalho, por exemplo.

Para ela, o reconhecimento da sua atuação e empenho pela cidade veio com o convite de ser a secretária de turismo; aliás é a primeira mulher a assumir essa cadeira na cidade.

Ana Lucia Aranda – sócia do Rock Rider Bar– 50 anos – 1 filho

“Atualmente gerencio um bar, muitas vezes me deparando com a desconfiança de alguns homens que não estão acostumados a lidar com mulheres neste ramo”

Ana chegou em Socorro em 2004 aos 34 anos. Formada em educação física, teve a oportunidade de trabalhar em algumas academias. Um ano depois assumiu o cargo de professora de musculação no clube XV de agosto, uma passagem curiosa e corriqueira. “Será que ela vai dar conta de dar aulas de musculação?”. Foi o comentário de uns dos diretores, que ela só ficou sabendo anos depois. Isso porque só homens haviam trabalhado no cargo até então. 15 anos se passaram e veio a oportunidade de assumir a Secretaria de Esportes na cidade, uma experiência engrandecedora pessoal e profissional.

Veio a vontade de ir atrás de novos desafios. Após cursos e treinamentos, se tornou Auditora de qualidade para montadoras de automóveis; uma guinada de 360 graus na vida profissional. Com a pandemia, as auditorias foram sendo canceladas. Há algum tempo ela e mais dois sócios, todos amantes do rock, tinham a ideia de montar um bar e colocaram isso em prática. Como os sócios têm outros trabalhos, então coube a ela toda a parte de elaboração, montagem e gerenciamento do bar.

Otimista, incentiva as mulheres a não desistirem dos sonhos, e casos eles mudem de caminho, vá em frente, ouse, tente.

Camila Fernandes – sócia da Pousada Nativa – 38 anos – 1 filho

“Fiz carreira no banco e cheguei à gerência. Cargo esse que anos atrás era sempre ocupado por homens, bem machista isso! Mas, as coisas mudaram e o jeitinho feminino chegou conquistando espaços”

Aos 8 anos Camila já vendia geladinho na porta de casa. Aos 11 perdeu o pai e com uma pequena instabilidade financeira, buscou trabalho em buffet infantil. Lá onde começou como monitora de crianças e chegou ao cargo de gerência, aos 17 anos, quando iniciou a faculdade de fisioterapia. Aos 22, trocou a área da saúde pela financeira, foi ser bancária e se formou em gestão financeira.

Em paralelo à vida bancária, sempre teve vontade de ter o próprio negócio, mais especificamente na área do turismo. Foi quando surgiu a oportunidade de ter a Pousada Nativa, há um ano, onde se dedica 100%.

Tenho muito orgulho dessa minha jornada. Além da carreira, tem um bebê que a trouxe muita alegria e sensação de uma mulher muito completa.

Entre trabalho e família ainda encontra tempo para fazer pós graduação em gestão de pessoas.

Elisabeth Konidis– sócia da Pousada Estância Villa Ventura – 55 anos – 2 filhas

“Trabalhei na metalúrgica, assumi a administração e financeiro. Nada fácil para uma mulher gerenciar uma empresa só de homens: metalúrgicos, engenheiros mecânicos, vendedores, irmãos homens, sindicalistas”.

Formada em Ballet Clássico, ministrou aulas de dança por 10 anos, mesmo contra a vontade do pai. Com o nascimento da primeira filha, usando a razão e ignorando o coração, começou a trabalhar na metalúrgica da família. Aos 31 anos, com o falecimento do pai, assumiu a administração e financeiro da empresa. Depois de anos, se desligou e montou uma loja de decoração e serralheria artística. Depois, trabalhou com venda de imóveis. Quando o mercado entrou em baixa, mudou de São Paulo para Socorro e assumiu o cargo de Chefe da Assistência e Proteção à Criança e Adolescência.

Há 4 anos, junto com o marido, montou a Pousada Estância Villa Ventura. Beth não entendia o motivo de ter tantas experiências profissionais, mas hoje percebe que foram necessárias. A dança moldou o caráter, disciplina e superação de limites. A metalúrgica proporcionou o conhecimento de gerenciamento em geral e a importância de planejar e trabalhar em equipe. A arte e decoração ajudaram na construção e harmonização de espaços. O magistério e a venda de imóveis fizeram-na usar a psicologia e paciência para lidar com pessoas. E, a experiência de dona de casa fez com que aprendesse a colocar uma mesa com capricho, a manter uma casa limpa e organizada e a gerenciar funcionárias. Hoje, utiliza todas as ferramentas adquiridas para exercer com amor a profissão de “pousadeira”.

Irene Aparecida de Souza Oliveira – sócia do Sabores do Currupira – 50 anos – 02 filhas

“Me sinto realizada por ter meu próprio negócio e conseguir ajudar e incentivar pessoas a crescerem e empreenderem”.

Desde pequena Irene queria ser independente e ter o próprio negócio. Com 12 anos já ia para a roça com os pais e com 15 a costurar blusa de lã para malharias. Aos 22 anos se profissionalizou em cabelereira e abriu o primeiro negócio: o salão. Ao mesmo tempo, fazia bolos e doces para festas.

Fez cursos de geleias, compotas, pães, leite, horta e turismo rural, o que a inspirou a vender geleias e doces. O objetivo era ter uma loja de doces caseiros feitos com produtos naturais. O que ficou um pouco mais fácil pelo fato do marido já cultivar frutas no sítio. Junto com duas sócias conseguiu realizar. Também chegaram as críticas: “quem vai comprar? Agora todo mundo faz regime”. Mas, Irene não desistiu, comprou as partes das sócias e as críticas só a fizeram ampliar o negócio, passou a fazer também geleia de banana zero açúcar.

Se aprimorou com cursos de marketing e administração rural.

Hoje conta com um quiosque no Horto Municipal, onde vende os doces e serve almoço e café, e no sítio, onde recebe grupos para cafés coloniais com comidas rurais e passeio.

Isadora Cecília Marchetti – sócia do Bar e Restaurante Esquina do Chopp – 29 anos

“Certos fornecedores no bar priorizam tratar com meu sócio. Mas, estar no mercado sendo mulher já é um grande avanço para todas nós e precisamos ocupar cada vez mais espaços para que, juntas, consigamos direitos iguais”.

Nascida em Monte Sião, mas criada em Socorro, aos 15 anos, Isadora estudava e já trabalhava algumas horas em uma videolocadora, com o intuito de ter o próprio dinheiro e adquirir experiência com o público. Dois anos depois mudava para São Paulo por conta de um emprego em um shopping. Época em que se interessou por cursar a faculdade de Direito.

Já em outro emprego, em 2013, para crescer na empresa precisou trocar o curso para Análise de Desenvolvimento de Sistemas, área na qual é formada.

Em meados de 2019 surgiu a oportunidade de abrir um bar em sociedade com o cunhado, em Socorro, onde mora a família. Desde então, concilia o trabalho na área de formação com o sonho de ter um bar.

Com essa escolha, vieram diversas dificuldades e desafios, como a missão de manter um estabelecimento recém-aberto funcionando durante a pandemia, a administração e gerenciamento de equipe, além do remanejamento da rotina para conseguir trabalhar nos dois lugares, em cidades diferentes e sem prejudicar nenhum.

Por ser empreendedora no ramo de bar/restaurante, vê e convive com situações em que algumas pessoas ficam surpresas quando ela se apresenta como proprietária do local, por ser mulher.

Marcia Regina de Faria Meneghelli – sócia do Rancho Pompéia – 53 anos – 2 filhos.

“Sinto orgulho de ser uma mulher do campo, focada em disseminar as tradições, em oferecer vivências rurais e lutar para não deixar essas tradições se perderem. Tenho muito orgulho de poder reproduzir um pouco da comida de mãe, de avó. As pessoas estão em busca da natureza, do sustentável, do saudável e do aconchego”.

Marcia se destaca no meio rural onde tem um rancho com hospedagem e loja. É no dia a dia do campo (levada pelo marido) que se realiza. Quando o filho mais velho nasceu e apresentou uma deficiência intelectual associada ao TEA, viu a necessidade de cuidar de perto dele. Como o marido já fazia queijos e passeios a cavalo para hóspedes de outro local, começou a fazer pães e doces, além de aprender a fazer queijos. Participou de um Fórum de Turismo Rural e foi incentivada a oferecer um café caipira com os produtos que vendia. Fez inúmeras capacitações e foi aprimorando os produtos. Começou a torrar café à moda antiga, que se tornou um dos produtos mais procurados. Faz eventos, coffee break, almoços e jantares caipiras.

Com a pandemia, a pessoa – que sempre gostou da “mão na massa”, da produção – passou a participar de lives, vender por delivery, implantou o pegue na porteira (drive thru), colocou os produtos no marketplace e envia pelos correios.

Participa de um grupo de mulheres do turismo rural de todo o Brasil e do exterior o que a fez ter certeza que a mulher é uma figura essencial na maioria das propriedades rurais.

Regina Grínberg – Grínberg´s Village Hotel – 77 anos – 01 filha

“Em um trabalho sério, a última preocupação que deve se ter é se você é homem ou mulher, mas, sim, que tipo de profissional você é”

Regina fez faculdade de Letras, Comércio Exterior e Corporate Finance. Por 32 anos trabalhou em Área Financeira Internacional. Se aposentou e foi trabalhar no hotel que já era da família.

Revela que a dificuldade de uma mulher executiva está na conciliação entre o trabalho e família. Essa relação tem que ser muito equilibrada para que não haja interferência de uma na outra parte; isso exige muita maturidade e desprendimento.

Mulher no mercado de trabalho? Para Regina, se ela estiver preparada tanto ou mais que o oponente masculino, terá as mesmas chances, desde que o comportamento pessoal e profissional sejam condizentes com o cargo que vai exercer.

Regina não atua mais no hotel, mas serve de referência para a filha, Raquel. Com 48 anos, se divide entre a ortodontia e a gerência geral do hotel, onde trabalha há 17 anos.

Sueli Wertheimer – proprietária do Hotel Recanto da Cachoeira – 68 anos – 02 filhos e 01 filha

“A minha profissão me deu trabalho com lazer. Por meio dela conheci lugares maravilhosos. Enalteço o segmento do turismo, tão encantador! Enquanto eu viver, ele falará mais alto em minha alma!”

Com o pai um entusiasta do turismo e fundador do clube de campo Centro Nacional de Turismo, foi fácil para Sueli se inspirar nele e se apaixonar pelo setor. Fez faculdade de turismo e um produtivo e enriquecedor estágio em Portugal. Há quase 52 anos ganhou do pai o atual Hotel Recanto da Cachoeira, um grande desafio.

Contou com a ajuda de um dos filhos, que morou nos Estados Unidos e Europa, para deixar a propriedade com o foco nas águas. Além do rio e da cachoeira, tem a  Boutique das Águas, o Pier de Cristal, um restaurante todo de vidro voltado para as águas e também a terma Esmeralda, que é de água mineral aquecida. Este filho tem o TW Guaimbê na Ilhabela, classificado como um dos 10 hotéis mais charmosos do Brasil. Sueli não esconde a honra de ver no filho a mesma paixão e garra pelo turismo que viu no pai. Também não esconde a vontade que a netinha também siga esse caminho.

O que mais a empresária gosta de fazer é trabalhar na parte de vendas. Para ela, a vontade que o hóspede tem em voltar é o que a realiza.

Descubra Socorro: 

Estância Hidromineral de Socorro, a “cidade aventura”, é um dos nove municípios a integrar o Circuito das Águas Paulista. Já é referência nacional em turismo de aventura e turismo acessível e se dedica para se tornar também um destino sustentável e pet friendly. Para isso, diversas ações de conscientização são criadas e envolvem moradores, empresários e turistas. Gastronomia variada, lazer para toda família e a melhor experiência em atividades culturais e passeios cercados pelas belezas naturais da Serra da Mantiqueira. Visitas guiadas ou autoguiadas em mais de 1300km de caminhos rurais disponíveis ao público. Saiba mais:  www.socorro.tur.br

ASTUR

A Associação de Turismo da Estância de Socorro – SP, que tem como objetivo a promoção de ações para o desenvolvimento sustentável das empresas associadas e o fomento do turismo de Socorro, sempre em consonância com o COMTUR (Conselho Municipal de Turismo) da cidade. Na “Estância Hidromineral” – status conquistado por cumprir determinados pré-requisitos definidos por Lei Estadual, o que também dá o direito ao município de agregá-lo ao nome -, atualmente, são 60 empresas associadas de diversos setores turísticos como hospedagem, ecoturismo, atividades de aventura, turismo rural, gastronomia e compras

VGCOM – VANESSA GIANNELLINI COMUNICAÇÃO
Vanessa Giannellini

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